sábado, 3 de novembro de 2007

Seção Cultural

AULA I - LH

Por exemplo, para pronunciar corretamente "lha", diga "liá" mas, muito depressa.

Treine com a palavra "galinha".

...

AULA II - GEOMETRIA DOCE.

Picasso - grande cubista francês de estatura média - já morreu. Porém, do seu legado, extrai-se, dentre muitas guernicas, a maior descoberta bélica da igreja: a elevação à terceira potência.

De fato, George Washington nos provou aritmèticamente - e sofreu os flagelos da fogueira da inquisição por isso - que se você tem um cubo de 1x1x1, este cubo mede exatamente um metro cúbico! Curiosamente, no caso de ser-se vaidoso e querer-se ter, além deste, um cubo de dois metros cúbicos, qualquer consumista sabe, são necessários mais 7 cubos daqueles, aí teremos um lindo 2x2x2 e, pegando um gancho dinâmico na prosa, se você quer um 3x3x3, além dos 8 que já tem, sua ganância terá que galgar mais 19 daquele nanico. Por isso Washington é D.C.

Dercy Gonçalves, menina sapeca no século XVII e amiga de ambos, fez, com a ajuda de um super-computador, a seqüência dos débitos dessa ambição por cubos:

1x1x1 - 0x0x0 = 1
2x2x2 - 1x1x1 = 7
3x3x3 - 2x2x2 = 19
4x4x4 - 3x3x3 = 37
5x5x5 - 4x4x4 = 51
6x6x6 - 5x5x5 = 91
(to be continued...)

Primo It, da Família Adams, concluiu: São todos números primos! Deus sorriu.

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, famoso por suas gigantescas bolhas de sabão, resolveu continuar os estudos dos amigos supracitados, pegou uma folha de papel quadriculado, uma régua e uma Mont Blanc de dois mil dólares e traçou um paralelo X e y com 6 escalas na horizontal, representando a sua amostragem e 91 escalas na vertical, porque achou que o último número daquela seqüência era fofo. Com isso, notou que todos os vértices de seu gráfico tinham o mesmo ângulo interno. Graças ao feito, a Xuxa (meretriz da época) deu pra ele!

Michael J. Fox - paciente amolador de clavas da pré-história (numa de suas idas e vindas do futuro, que o permitiu conhecer até o Primo It) - prosseguiu com os cálculos de Dercy até o estrondoso, pasmem: 100x100x100 - 99x99x99 = (tcham, tcham, tcham, tcham!) 29701.

Primo It, já desesperado com a descoberta de primos astronômicos, tomou uma atitude revolucionária!!! Na verdade nem tanto... Fez o gráfico de Pelé, agora com todos os seus primos descobertos por Marty McFly e viu que o gráfico era exatamente a quarta parte de uma deliciosa pizza de aliche, ou seja, quase que exatamente uma curva de 90 graus; porque nunca, amigos, nem mesmo o Deus sorridente, vai achar um primo tão grande que faça essa merda virar uma curva com todas as letras em caixa alta.

Madrasta, do conto de Branca de Neve, é de conhecimento geral, tinha uma relação com a vida baseada em espelhos. Once upon a time, com uma reprodução autografada por todos os amiguinhos dessa aula, por acidente, espelhou horizontal e verticalmente a imagem daquele quarto de bola de golfe e zás, estava ali um círculo! Toda a imprensa local compareceu, tiraram fotos e mais fotos e, assim, a Madrasta arrumou logo um novo marido, o príncipe encantado do Maquiavel! Juntos eles ganharam na justiça a patente da roda, cujo os anais cogitavam ser Michael J. Fox o especulador.

Altas horas da madrugada, na redação de um jornal das Cruzadas Vikings, um dos diagramadores/redatores, brincando no Photoshop, reduziu a imagem do Círculo da Madrasta e montou dentro do Círculo da Madrasta original. Estava descoberta a rosquinha! O viking Dunkin, que era muito empreendedor, substituiu a manchete da velha rabugenta por esta que mudaria o destino de diversas rodoviárias metropolitanas:

"É FUNDADA A DUNKIN' DONUTS"

Antes que Adilson Rodrigues, o Maguila, fizesse cair por terra esta lenda, Jesus Cristo, ainda n'aquela época, ao receber o jornal, olhou pr'aquilo tudo e disse:
- Por que não enfia no cu essa bosta?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Making Sofie's Homework

CADELA

Saturada do meu espaço/tempo, decidi me opor a ele encarnando minha própria cadela, sendo assim o animal doméstico de mim mesma.

Passei duas horas, as duas primeiras, me abstendo de mim, correndo no quintal e me divertindo tentando pegar moscas com o meu focinho. Não que isso estivesse sendo meu passatempo predileto; de fato, eu preferiria estar correndo atrás de pneus, algo assim mais exposto à maledicência pública, mas me enchia de felicidade ver o quanto não importava pra mim eu não ter o mínimo de coesão. Ser canina me remeteu a uma liberdade despretensiosa até com o próprio senso de liberdade, uma vez que toda minha liberdade se restringiu ao perímetro daquele quintal. Porém, cão que fui, eu quis mesmo foi engolir a mosca. Nenhuma de nós duas entendeu, mas fomos complacentes; eu, eufórica.

Eu tinha um rabo. Ele era como o mamilo nos homens, mas muito, muito mais protuberante e constrangedor. Sinceramente, me aturdiria a idéia de ter o meu humor avaliado por uma extensão estrambótica na espinha. Seria até absurdo, um ultraje, se eu não fosse um bicho dos mais brincalhões. Foi impossível não me divertir conosco quando abanei o rabo e, eu, lá de longe, sorri; abanei novamente e, eu, mais perto, sorri e entortei a cabeça; abanei o mais forte que pude e, eu, me agarrando, sorri de vez! Ah! Era uma alegria progressiva que rumou à explosão mútua: eu, de afeto e ternura, eu, de tanto ser apertada. Mas não explodimos.

Assim, continuei sendo cadela e, com satisfação, uma cadela de raiz, tradicionalíssima. Embora soubesse das coisas, eu não dei pata, não deitei, não rolei, não tentei ser bípede ou fazer qualquer prodígio ridículo que não me coubesse. Foi até com uma pontinha de orgulho que me vi como bicho subjugado, estúpido e vulgar. Oras! Era vantajoso: ao passo que eu fui pra escola, me apoquentei com colegas infelizes e atividades enfadonhas, eu fiquei sozinha na chafurda das horas cônegas, sem mexer uma palha sequer e, por mais imbecil que esse estado pudesse parecer, nada substituiria o meu alto posto, o venerável posto de bibelô e todas as regalias adjacentes.

Realizada, prossegui na nudez dos meus desfiles, (alguns até mesmo na rua, provocando o desejo e a inveja dos cachorros sujos, sem lar) no pragmatismo lacônico dos grunhidos da minha espécie, no cultivo de aceitar que às vezes eu me ignorasse e na semeadura de ignorar a morte, naturalmente.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Antiga tristezinha.

Passou pela sua cabeça que tem 4 anos que ele anda fazendo musicagens; faz, grava, mostra pros outros. Eles dizem: "Massa" e até dizem: "Grande!", daí pega e faz outra e outra.

"Que bobeira!"

Isso foi o que ele pensou há pouco, mesmo tendo um feedback de 100% do público, o mais pleno e abençoado respaldo.
Homem é mesmo um bicho inseguro, até quando está convicto, vê-se.

Foi quando ele divagou, e até sorriu, achou bonita mesmo a seguinte figura:
Quantos abraços teriam que ser distribuídos pra recompensar o amor que lhe dedicaram se ele dissesse, do nada, "cansei"?

Divertido, concluiu que teima. Teima e teima por orgulho! Ou seria por preguiça?
Rindo, mas não muito, decidiu que nesse ponto, ou seja, exatamente aqui, caberia traçar o lindo paralelo entre orgulho e preguiça. O fez:

"O ORGULHO E A PREGUIÇA

É conhecido que toda pessoa é teimosa, mas, dentre as mais, (as que vão além do instinto de sobrevivência, de fato, já que esse negócio de ficar indo pra lá e pra cá é coisa de ave migratória) estão as orgulhosas e as preguiçosas.
O orgulhoso teima porque é um mimado neurótico e egoísta que acha que sabe mais que os outros; acha não, tem certeza! O orgulhoso está certo, claro! E, se estiver errado, estava errado na razão. Logo, acha certo ter razão em estar errado e assim procede.
O preguiçoso é um mimado deprimido e debochado que, tá, já sabe que está errado, porém, quer mesmo é que tudo exploda e assim procede.
No fim, o orgulhoso tem mais decepção, o preguiçoso tem mais peso na consciência. Ambos fracassam."

Retornando, concluiu que teima e está torcendo pra estar enganado - quando ficou sem cigarros concordou com a mãe que dizia pra deixar a música como um hobbie e ir ser profissional desses que batem cartão, põem sapato... Mas foi assim mesmo, desde sempre, sonhando bancar o heroizinho iconoclasta, o punk dos teclados e ursinhos de pelúcia. Seu poder é o orgulho (ou a preguiça... lá em cima o pareceu ser a mesma coisa) e seu inimigo é todo o resto. Tudo!

Daí o Orgulho-Man, Orgulhoso Prateado, Super Orgulho ou como queiram, quer construir uma família, veja só! Posto que parece que os pais em geral param de se questionar quanto aos parangolés do Universo e viram gente, praticando o exercício diário - um ultimato no poder de escolha, a redenção, o livramento, um verdadeiro pé no primeiro degrau do templo da cabeça vazia, lá onde não existe nada, só amor. Uma loteria e tanto.

E indaga: "Como?". Ele sabe, oras! Mas pra isso tem que deixar de ser quem é.
Piada! Quando o tonto já está achando que é Rafael Castro, fica difícil.

E assim procede.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Em nome do jerk off.

EU ME AMO, DESCONSOLADAMENTE...

Nos dias de mais solidão
que vejo o quanto eu me gamo.
Me esqueço de ter coração
e uma comigo, eu tramo:
declaro-me por minha mão
e ela me diz "Eu te amo".

A mente me diz que esconde
um mui feminino rebanho
e quando eu descubro por onde,
extendo um bocado meu banho.
Daí o meu corpo responde
fazendo eu dobrar de tamanho.

No desenvolver desse ato
em vís pensamentos percorro,
coloco o pecado no tato
até sentir que quase morro
e sujo minh'alma, de fato,
sujando meus dedos de esporro.

Porém, depois disso me vejo
parado, com ele de fora,
sem graça, sem ar, sem cortejo
pra dar a quem muito me adora.
E não tem milagre ou manejo
que impeça a espinha que aflora.

quarta-feira, 7 de março de 2007

O discursar de um velho.

SESSENTA E CINCO

Ultimamente, andam lendo o periódico,
tendo noções sobre coisas que eu não sei.
E lá das modas dizem que eu me fiz tão módico;
eu que, outrora, era nobre, era um rei.

Clamam ser lixo este proceder metódico -
contemporâneo é não ter mais qualquer lei.
E assim, borbulho qual bicarbonato sódico
detestando o vox populi, vox Dei.

Sinceramente, no meu tempo era legal
e, além disso, um tanto natural,
rimar amor com flor, com espanador.
Ai, quanta dor!

Mas no presente, vão dizer que eu sou boçal
e com uma fúria que é descomunal,
xingar minha mãe pelo computador.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

A Pior Poesia Que Um Dragão Rosnou!

TRIGO

Transverso trajeto! Ô, tribufu!
Tricerátopis que trotam transfiguradamente à tragédia! Truco!
Traga trufas, truta! Trepe trigueiramente nos trampolins triviais!
Trombe as trompas dos trumpetes trôpegos!
Triando aos trâmites de Trafalgard, transpasse os trejeitos dos travecos tremendos!
Tropece tranqüila nos tremoços.
Tremule tragando os trecos traumáticos da trupe!
Trinque às tropas tristes e transporte um treminhão de truncagens.
Troque traquinagens transmissoras. Trote!
Transeuntes transam tramóias trépidas trazendo tremores,
Trabucos, trevas, trivelas, tratados, tratores...
Tripulantes ao tribunal trituram triglicéres: três trilhões de tripas tricotadas.
Traduza o traçado das traças que trajam tranças tresloucadas.
Trapaças trovejantes tropicalizam trenós, transformando transistores em trapo.
É truque! Trema! Treine um trouxa que transgrida um traste!
Tributos trapezoidais nos traços de um trevo.
Tranforme o transtorno num tronco de travas. Trubagubauabauetratretriporra.
Trens de trambicagens, trombas e troféis -
Trabalho no tráfico de trambolhos.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Para mamãe.

Mãe,
Desculpa de eu ser tão fraco. Desculpa de eu sonhar tanto e fazer tão pouco, te dar trabalho, te responder, te ofender, ser ingrato, porco, mesquinho e te iludir com o argumento de que um dia eu pudesse mudar. Desculpa, mãe, por eu me manter feio, por me manter burro, por me manter preguiçoso e mau-humorado e não te orgulhar da forma que você queria e merece. Pela senhora eu caio nas contradições que me mantém em pé e me mantenho morno: não brigo, não uso drogas e finjo um punhado de coisas que te poupam de mais vergonha. Pela senhora somente, finjo que trabalho, finjo que gosto da vida, que me relaciono, que componho canções, finjo ser alegre, sabido, saudável e fiel. Desculpa-me ser tão fingido assim, mãe; ser tão mal-amado e tão suprimido nas poucas intenções doces e ternas - aquelas que a senhora tanto cultivou. Desculpa de eu não ter futuro, de eu não ter dinheiro, de eu ficar pelado na rua, cantar alto e desafinadamente e ofender a todos com minhas idéias frustrantes e repetitivas. Eu não soube conversar contigo, é verdade. Desculpa de eu não ter um amor que valha a pena, uma intenção duradoura, a vontade de acordar, o apetite, a atenção e a fé que seria digno do que me foi ensinado. Perdoa seu filho de ser esse fracasso, de ser esse omisso, submisso, quieto e perturbado que se encanta, se envolve, se enjoa, enoja e acaba por cuspir nessas inúmeras futilidades, descartando o trivial: o bom. Sinceramente, me desculpe por eu ser tão confuso e tão pouco pragmático a ponto de meus afetos se passarem por hostilidades e minhas hostilidades se passarem por chalaças. Por fim, amada mãe, me desculpe por aceitar tudo isso e ainda assim não ter vergonha nessa minha cara.