quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

A Pior Poesia Que Um Dragão Rosnou!

TRIGO

Transverso trajeto! Ô, tribufu!
Tricerátopis que trotam transfiguradamente à tragédia! Truco!
Traga trufas, truta! Trepe trigueiramente nos trampolins triviais!
Trombe as trompas dos trumpetes trôpegos!
Triando aos trâmites de Trafalgard, transpasse os trejeitos dos travecos tremendos!
Tropece tranqüila nos tremoços.
Tremule tragando os trecos traumáticos da trupe!
Trinque às tropas tristes e transporte um treminhão de truncagens.
Troque traquinagens transmissoras. Trote!
Transeuntes transam tramóias trépidas trazendo tremores,
Trabucos, trevas, trivelas, tratados, tratores...
Tripulantes ao tribunal trituram triglicéres: três trilhões de tripas tricotadas.
Traduza o traçado das traças que trajam tranças tresloucadas.
Trapaças trovejantes tropicalizam trenós, transformando transistores em trapo.
É truque! Trema! Treine um trouxa que transgrida um traste!
Tributos trapezoidais nos traços de um trevo.
Tranforme o transtorno num tronco de travas. Trubagubauabauetratretriporra.
Trens de trambicagens, trombas e troféis -
Trabalho no tráfico de trambolhos.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Para mamãe.

Mãe,
Desculpa de eu ser tão fraco. Desculpa de eu sonhar tanto e fazer tão pouco, te dar trabalho, te responder, te ofender, ser ingrato, porco, mesquinho e te iludir com o argumento de que um dia eu pudesse mudar. Desculpa, mãe, por eu me manter feio, por me manter burro, por me manter preguiçoso e mau-humorado e não te orgulhar da forma que você queria e merece. Pela senhora eu caio nas contradições que me mantém em pé e me mantenho morno: não brigo, não uso drogas e finjo um punhado de coisas que te poupam de mais vergonha. Pela senhora somente, finjo que trabalho, finjo que gosto da vida, que me relaciono, que componho canções, finjo ser alegre, sabido, saudável e fiel. Desculpa-me ser tão fingido assim, mãe; ser tão mal-amado e tão suprimido nas poucas intenções doces e ternas - aquelas que a senhora tanto cultivou. Desculpa de eu não ter futuro, de eu não ter dinheiro, de eu ficar pelado na rua, cantar alto e desafinadamente e ofender a todos com minhas idéias frustrantes e repetitivas. Eu não soube conversar contigo, é verdade. Desculpa de eu não ter um amor que valha a pena, uma intenção duradoura, a vontade de acordar, o apetite, a atenção e a fé que seria digno do que me foi ensinado. Perdoa seu filho de ser esse fracasso, de ser esse omisso, submisso, quieto e perturbado que se encanta, se envolve, se enjoa, enoja e acaba por cuspir nessas inúmeras futilidades, descartando o trivial: o bom. Sinceramente, me desculpe por eu ser tão confuso e tão pouco pragmático a ponto de meus afetos se passarem por hostilidades e minhas hostilidades se passarem por chalaças. Por fim, amada mãe, me desculpe por aceitar tudo isso e ainda assim não ter vergonha nessa minha cara.